Duas novidades aleatórias e um alerta

O desenho acima representa a autora fugindo de uma espiral de extravagância. Talvez ela tenha uma mochila nas costas e um par de botas bufantes. Ou então está tentando escapar de um rocambole descontrolado.

Nesta edição extra, trazemos dois comunicados importantes e um alerta. O boletim “O Mês em Batata” virá quando possível, pois não trabalhamos sob pressão.

São eles:

1. O aniversário é do episódio e quem perde somos nozes

Esses dias comemoramos o aniversário de um ano do episódio “CPF na nota?”, esse feito literário intrépido que nos enche de orgulho.

Algumas coisas que aconteceram desde então:

  • Fui acusada de “monetizar meu chifre”
  • Recebi 2 (dois, deux, two, zwei) pedidos de desculpas de homens envolvidos
  • Alguns veículos de imprensa se prestaram quase que imediatamente a descredibilizar a vítima
  • Houve inúmeras tentativas de descobrir meus interesses escusos
  • Um total de zero pessoas foi cancelada, apesar do pânico moral
  • Um sujeito lembrou que eu era colaboradora regular do NYT, e que portanto minha carreira jamais foi prejudicada. Achei humilde que ele tenha admitido exercer influência significativa em jornais americanos. (A autoestima do homem branco!)
  • Mulheres colocaram meu relato em dúvida e falaram em questões inverificáveis
  • Mulheres que me defenderam estão sendo processadas
  • As escritoras — eu gostaria de ter contado com o apoio de meia dúzia delas. Mas nessa selva editorial, isso pode significar perder emprego, prêmio, contrato.
  • Um jornal chegou a anunciar que houve um aumento de 13.800% nas vendas dos meus livros, em um levantamento realizado a pedido do veículo. Os números absolutos não foram fornecidos, mas estou aqui para fornecê-los: vendi 3 mil exemplares do livro Operação Impensável. Hoje vivo em Bora Bora e apoio os pés nas carcaças dos homens que desgracei.

Não deixem de ouvir Silenciadas, podcast narrativo da Cristina Fibe, e O chá revelação, de Chico Felitti, para um pouco mais de contexto.

2. Reedição do Amarelinho

Entrou em pré-venda a nova edição de O Livro Amarelo do Terminal.

A obra foi originalmente publicada em 2008 pela CosacNaify. No ano seguinte, ganhou os prêmios APCA e Jabuti de melhor livro reportagem. Também nesse ano, a capa do livro, criada por Elaine Ramos e Maria Carolina Sampaio, entrou para a lista de melhores do mundo do American Institute of Graphic Arts (AIGA). O livro foi republicado em 2018 pela editora do SESI-SP.

Com o tempo, todas essas edições se esgotaram.

Em 2026, a Fósforo preparou esta nova edição com um projeto gráfico totalmente distinto, assinado por Flávia Castanheira. Ela decidiu atualizar a cara do livro usando elementos das passagens rodoviárias de hoje: linhas pontilhadas, fontes monospaced, QR codes e códigos de barras.

Aproveito para agradecer a minha editora, Juliana Rodrigues, pela paciência e pelo capricho.

O lançamento oficial é em 4 de fevereiro.

  • Editora ‏ : ‎ Fósforo
  • Data da publicação ‏ : ‎ 4 fevereiro 2026
  • Número de páginas ‏ : ‎ 224 páginas
  • Peso do produto ‏ : ‎ 193 g
  • Dimensões ‏ : ‎ 14 x 1 x 20 cm
  • Quantidade de vezes que eu tive que reler : quatro

O release fala em “obra essencial do jornalismo literário brasileiro”, e quem sou eu para questionar?, e faz um resumo da trama:

“Borrando as fronteiras entre jornalismo e literatura, esta obra tornou-se um registro atemporal do funcionamento da segunda maior rodoviária do mundo, na qual Vanessa Barbara assume ao mesmo tempo os papéis de historiadora e investigadora, exploradora e cronista, dissecando a ‘cidade de chicletes abandonados, de pessoas com pressa e de coisas perdidas’.

3. Cuidado!

Se eu não tivesse lido direitinho a descrição dessa promoção, não sei o que faria com uma família tão grande.

Tomem cuidado.

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Agradecimentos: Esta edição foi possível graças a 26 aguerridos assinantes e uma dúzia de doadores esporádicos.

Os links dos livros são afiliados da Amazon e nos ajudam a recarregar o Bilhete Único.

“Para ser lido na maldita hora da noite em que tudo é engraçado – logo após a hora em que nada faz sentido e antes daquela em que tudo faz sentido” (Stephanie A.)

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