Clipping: VB narra a perda em novo romance

Posted: 28th setembro 2013 by Vanessa Barbara in Clipping
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Folha de S.Paulo
28 de setembro de 2013

por Raquel Cozer

Fragmentos de conversas ao telefone, festas e brigas entreouvidos no bairro do Mandaqui, na zona norte de São Paulo, ajudaram Vanessa Barbara, 31, a pensar a estrutura do romance “Noites de Alface”, que chega nos próximos dias pela Alfaguara.

É por meio de pistas esparsas sobre os vizinhos, entre constatações indiscutíveis e hipóteses fantasiosas, que Otto, recluso após a morte da mulher com quem foi casado por 50 anos, acompanha a rotina da cidadela onde mora.

“Não é bem bisbilhotar, porque as coisas chegam a você mesmo que não queira”, diz a escritora e colunista da Folha, referindo-se às paredes finas do Mandaqui, mas também ao exercício de investigação passiva do viúvo Otto.

  Alexandre Rezende/Folhapress  
Vanessa Barbara no bairro paulistano do Mandaqui, onde ela mora
Vanessa Barbara no bairro paulistano do Mandaqui, onde ela mora


Com tais pistas, o que se pretendia apenas um romance sobre a perda ganhou contornos de uma história de suspense –a certa altura, Otto começa a desconfiar de que sua mulher, Ada, e os vizinhos esconderam algo dele.

Vanessa tem quatro livros publicados, três deles em parcerias –o romance “O Verão do Chibo” (Alfaguara), com Emilio Fraia, o infantil “Endrigo, o Escavador de Umbigo” (34), com Andrés Sandoval, e a HQ “A Máquina de Goldberg” (Quadrinhos na Cia.), com Fido Nesti.

“Noites de Alface” é o primeiro romance solo, que lhe tomou dois anos de trabalho e cuja abertura lhe rendeu um lugar entre os 20 nomes de “Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros” da revista literária “Granta” (Alfaguara).

O título inusitado é uma referência a uma experiência frustrada de Ada, pouco antes de morrer: preparar chá de alface para o marido para ver se lhe curava a insônia.

INTERAÇÕES

Os moradores com quem Otto interage (ou a quem escuta) têm inspiração na vizinhança de Vanessa. É o caso, no livro, do sr. Taniguchi, que passou 30 anos lutando nas Filipinas depois de 1945 sem acreditar no fim da guerra.

O personagem, ela diz, foi “vagamente inspirado” em um antigo vizinho, que saiu de Hiroshima poucas semanas antes da bomba, e um ex-combatente real, Hiroo Onoda, que escreveu um livro sobre sua “guerra de 30 anos”.

O humor que prevalece nos textos da autora desde a estreia, com a reportagem “O Livro Amarelo do Terminal” (Cosac Naify, 2008), também está no romance, em personagens como Nico, entregador de farmácia obcecado por decorar os efeitos colaterais em bulas de remédio.

“Uma das piores coisas em literatura, e acho que em outras áreas também, é o hábito de se levar muito a sério, de se considerar muito sábio e profundo. Nossa literatura é muitas vezes prepotente demais e se valeria de maior leveza”, argumenta Vanessa.

Para ela, o humor deve ser inerente à postura das pessoas diante do mundo. “Costumo enxergar tudo por uma espécie de erro de paralaxe, achando graça no aleatório e deixando passar o que se considera ‘importante'”, diz.

NOITES DE ALFACE
AUTORA Vanessa Barbara
EDITORA Alfaguara
QUANTO R$ 34,90 (168 págs.)

Decifrando letreiros

Posted: 15th setembro 2013 by Vanessa Barbara in Folha de S. Paulo, Revista
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Folha de S.Paulo – revista são Paulo
15 de setembro de 2013

por Vanessa Barbara

Quase ninguém sabe qual a lógica por trás da numeração dos ônibus de São Paulo, criada em 1978 na gestão Olavo Setúbal. Chegou a hora de descobrir.

As linhas com três números e uma letra pertencem ao sistema diametral, que liga pontos de áreas distantes.

No caso do 875-M 10- Aeroporto/Metrô Barra Funda, o primeiro e último dígitos (8 e 5) indicam a região de origem e destino do ônibus conforme a divisão antiga de áreas da cidade. O dígito do meio (7) informa a classe da linha; no caso, que ela tem integração com uma estação de metrô.

O algarismo central também pode variar de 0 a 6, dependendo do quão perto do centro chega o coletivo, sendo 0 o centro. Alguns exemplos: 107-T – Tucuruvi/Cidade Universitária vai da região 1 a 7 passando pelo centro, ao passo que 352-A – Terminal São Mateus/Jardim Helena trafega entre bairros, ligando as áreas 3 e 2.

A letra é um diferencial que, no exemplo acima, significa Miruna, avenida por onde passa essa linha, em contraponto ao 875-A, de Aratãs.

Na Zona Norte, temos a distinção entre 971-C, 971-D, 971-M, 971-P e 971-R, linhas que unem as regiões 9 a 1 passando pelo metrô, e cujas letras significam: Cohab, Damasceno, Mandaqui, Penteado e Jardim Rincão.

Já os ônibus de quatro dígitos pertencem ao sistema radial, composto por linhas que saem do bairro em direção ao centro (5119 – Terminal Capelinha/Largo São Francisco), ou setorial, com veículos que circulam apenas dentro dos bairros (1775 – Vila Albertina/Center Norte).

Nestes, o primeiro algarismo indica a principal via utilizada pelo ônibus (5 é a avenida Brigadeiro Luís Antonio, 6 é a Nove de Julho, por exemplo). O segundo dígito se refere à classe: se é 0, o trajeto inicia e termina na mesma área (6000 – Terminal Santo Amaro/Terminal Parelheiros), e se o valor está entre 1 e 6 é porque vai até o centro (9500 – Terminal Cachoeirinha/Paissandu).

Em todo caso, quando o segundo dígito for 7 é porque o coletivo passa perto do metrô.

E não é só isso: algumas linhas possuem um código extra, como 1744-10 – Lauzane Paulista/Santana. Nesse caso, o número 10 indica que se trata da linha principal e há uma variante circulando na área; no caso, o 1744-31, uma derivação que passa por outras ruas.

Na prática, depois de mais de três décadas, com a mudança de divisões das áreas na cidade e a criação de novas linhas que não seguem a nomenclatura original, não há nenhuma congruência na numeração dos coletivos de São Paulo.

Como disse um amigo gaúcho, “só pelos números já se vê que o sistema é uma bruxaria”.

O que o autor quis dizer

Posted: 9th setembro 2013 by Vanessa Barbara in Blog da Cia. das Letras, Crônicas
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Blog da Companhia das Letras
9 de setembro de 2013

por Vanessa Barbara

http://www.dreamstime.com/stock-image-teenage-boy-sleeping-book-covering-his-face-image23322671

Não há dúvida de que o conceito de leitura obrigatória é um dos grandes males da sociedade contemporânea, perdendo apenas para a violência, o totalitarismo, a ganância e as sobremesas com café — pois que se propõem a se passar por chocolate quando estão longe disso. É desonesto.

Sobretudo na época escolar, quando nos obrigam a ler Senhora, de José de Alencar, ou Primo Basílio, de Eça de Queirós, ou Eurico, o Presbítero (que eu chamava de Eurico, o Burrico), a compulsoriedade da leitura geralmente tem como efeito o ódio extremo a essas obras, sobretudo as mais clássicas, ainda que sejam boas ou contenham elementos interessantes para aquela faixa etária.

O problema é sempre a obrigação: se no ensino fundamental me mandassem ler O Gênio do Crime ou qualquer coisa do Pedro Bandeira, só o fato de consistir num dever já tiraria a graça da atividade. E geraria todo tipo de revolta não só ao título em questão, mas à leitura em geral.

Sempre gostei de ler e me esforçava para tirar alguma coisa de útil das tarefas que me impunham, mas ficava frustrada por arruinarem uma atividade que devia ser tranquila e saltitante. Por isso encarava os trabalhos de leitura como obrigações que se deviam cumprir sem demora, a fim de poder me dedicar às coisas que realmente importavam: ler livros da minha escolha quando eu quisesse, se eu quisesse e por nenhum motivo senão a curiosidade. Ou uma capa bonita. Ou uma fonte com serifas especialmente sedutoras. Ou porque alguém disse que tinha um personagem que morria de tanto beber água.

A consequente profissionalização e setorização das tarefas escolares para maior eficiência coletiva segundo os interesses de cada membro da turma foi uma decorrência natural dessa obtusa lógica didática, e ocorreu muito cedo, quando passamos a repartir entre os colegas os trabalhos em grupo com vistas a maximizar o aproveitamento do nosso tempo livre — que podia ser gasto na internet, no vôlei, na socialização generalizada ou na leitura de títulos proibidos pelo conselho docente.

Desde o ensino médio, fiquei responsável pelos trabalhos de pesquisa do grupo, enquanto uma amiga cuidava das tarefas matemáticas e outra redigia resumos burocráticos das matérias da semana. Havia ainda uma especialista em fazer relatórios das experiências em laboratório e outra que resolvia fórmulas de física.

Lembro também de quando um professor de filosofia nos mandou ler O mundo de Sofia e fazer um resumo dos capítulos. No máximo cinco pessoas da classe de fato leram o livro, três delas pulando as páginas e sublinhando aleatoriamente trechos que lhe pareciam relevantes. Uma delas pediu para a irmã executar a tarefa, em troca de favores domésticos. A grande maioria copiou resenhas da internet, trocando os verbos e a ordem das frases. Alguns se tornaram especialistas em simulação intelectual, embromação estilística e de fato aprenderam lições importantes de como sobreviver neste mundo. Só eu e a Alessandra lemos o livro inteiro, e devo confessar que fui eu que redigi sete dos trinta trabalhos individuais da minha classe, cobrando caro para tanto. Tirei dez em quase todos, inclusive no meu, que foi o mais caprichado. Minha popularidade aumentou de forma notável. A Alessandra também aceitou encomendas, acho, mas não se dedicou com tanto afinco à empreitada.

Gostei bastante do livro, mas não importa. O fato é que, como disse Pierre Bayard, autor de Como falar de livros que não lemos, “é justamente essa obrigação de ter que ler que nos impede de chegar aos livros. Sacralizamos tanto os livros, o fato de ler e ter que guardar todas as informações e detalhes dos textos, que acabamos morrendo de medo das palavras e, então […] não lemos. Prefiro evitar todo tipo de ‘dever’ ou ‘obrigação’ sobre esse assunto. A leitura é um ato de liberdade. Não há como impor regras a ela”.

Na obra, Bayard ensina algo que minha mãe aprendeu desde cedo: como burlar a obrigatoriedade da leitura sem perder muito tempo lendo livros que não nos interessam — o oposto do meu método nerd de realmente fazer tudo o que os outros mandam. A técnica tem grandes méritos próprios: exige criatividade, intuição e esforço de síntese. Meu irmão também era bom nisso e adivinhava com maestria o que o professor gostaria de ler na prova; quanto a mim, jamais consegui atingir verdadeira excelência no método, que realmente requer treino constante e habilidade acima da média.

Na Flip de 2008, Bayard inclusive sugeriu o uso de técnicas de leitura que as escolas não ensinam e que professores e críticos literários cansam de usar para poupar tempo com livros que merecem apenas ser folheados. “O crescimento da exigência da leitura tem feito mais vítimas que grandes leitores”, explica.

Muitos podem argumentar que ter disciplina é importante, que a vida é dura e devemos aprender desde cedo a fazer coisas de que não gostamos, já que, no futuro, teremos muitas vezes que nos submeter a elas. Mas parte da graça de ser adulto é ter escolhas, poder partir para um novo emprego ou uma profissão diferente — ou, no mínimo, trabalhar para que no futuro isso seja possível. Outra habilidade essencial para um adulto é saber identificar prioridades e dispensar as coisas que não são relevantes, sendo, portanto, seletivo.

Poder escolher suas leituras é essencial. Mesmo que os professores julguem saber quais livros são apropriados para os alunos, nunca devem limitar as opções. O fato de haver na minha escola uma “lista negra” com livros proibidos para a minha faixa etária (romances policiais sanguinolentos, livros com cenas picantes e coisas para as quais ainda “não estávamos prontos”) apenas aumentou minha vontade de lê-los, ao passo que a existência de uma lista obrigatória acabou relegando os títulos recomendados a uma categoria enfadonha e nada atrativa.

Bayard é defensor da descoberta pessoal de títulos, sem quaisquer restrições e imposição de critérios. “Nos Estados Unidos, ao contrário da França, as bibliotecas permitem que o usuário circule entre os livros, levando-o a títulos que não pretendia tomar emprestado. A curiosidade ainda é o melhor incentivo que um leitor pode ter”, afirmou.

O livro de Bayard, por exemplo, eu não li. Por nenhum motivo em especial. Contudo, depois de conferir algumas resenhas, acabo de ceder à vontade — contanto que não me peçam para resenhá-lo.

(Se me proibirem de lê-lo, aí é que o título sobe direto para o topo da lista de prioridades.)

Comunicado

Posted: 4th setembro 2013 by Vanessa Barbara in Cadernos Expedicionários

Anfíbios fazem

Posted: 2nd setembro 2013 by Vanessa Barbara in Crônicas, Folha de S. Paulo, Revista

Folha de S.Paulo – revista da Folha
1 de setembro de 2013

por Vanessa Barbara

Quando eu era pequena, não entendia por que o governo mandava todo mundo usar camisinha. Apareciam uns artistas na tevê repetindo a recomendação federal muito sérios, como se fosse uma questão de vida ou morte, e nunca explicavam ao certo o que havia de errado com o restante do guarda-roupa. E mais: qual o tamanho máximo do referido item da indumentária, em proporção ao torso do indivíduo? Qual a diferença entre camisinha, camiseta e camisola?

Eu realmente imaginava cidadãos em trajes muito apertados, cumprindo seus deveres cívicos, e olhava desconfiada para os que andavam por aí com roupas folgadas.

Um pouco mais tarde, encontrei umas edições velhas da revista Capricho e fui me instruir. Àquela altura, as crianças da rua já circulavam informações mais precisas sobre a origem dos bebês (sem repolhos ou cegonhas nessa equação), mas pairava uma certa dúvida sobre o verdadeiro significado de sexo oral: seria só ficar falando sacanagem ao telefone? Teria algo a ver com dentistas?

Na mesma época, havia um programa de televisão chamado “Cocktail”, que passava altas horas da noite e só uma das meninas da nossa turma conseguia assistir.

Ela vinha contar como rebolavam as mulheres seminuas, e nós lhe fazíamos perguntas objetivas sobre a circunferência e o formato dos glúteos – tínhamos um fascínio curioso por essa parte da anatomia tão redonda e sofrida.

Sempre que alguém fazia uma piada obscura, de interpretação duvidosa, a melhor política era dar risada e nunca admitir que não entendeu – depois vinha o silêncio e todos podiam pensar no possível teor do duplo sentido que, na verdade, ninguém captou. Em geral, nem quem contou a piada.

Muitos de nós ainda achavam que era possível engravidar sentando num banco de ônibus recém-ocupado por um desconhecido, outros pensavam que gays namoravam lésbicas e que coito interrompido era quando você estava aos beijos e alguém abria a porta.

Lembro também da história de um menino que foi dissecar um sapo na aula de ciências e, depois da aula, contou à mãe como foi a experiência. Esta, julgando estar diante de uma boa oportunidade de ensiná-lo sobre os órgãos reprodutores, empreendeu uma longa e truncada explicação de como os sapos se reproduziam e de onde vinham os girinos, julgando mandar bem na metáfora.

Por muito tempo, ele achou que as relações sexuais envolviam necessariamente um bom par de sapos. (A logística ainda era fonte de especulação, mas que aquilo tinha a ver com anfíbios – isso era certeza.)

O nome da rede

Posted: 18th agosto 2013 by Vanessa Barbara in Crônicas, Folha de S. Paulo, Revista
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Folha de S.Paulo – revista sãopaulo
18 de agosto de 2013

por Vanessa Barbara

No início de agosto, a prefeitura inaugurou um ponto de wi-fi gratuito na praça Dom José Gaspar. A rede, chamada Wifi_livre, oferece uma conexão de internet de 512 kbps e faz parte do projeto Praças Digitais, a ser implementado em 120 espaços públicos até o fim de outubro.

É uma boa notícia para os sem-sinal, aquela parcela da população que vaga pelas ruas procurando uma rede desprotegida para filar; são munícipes que não podem pagar um plano de 3G e dependem da bondade de estranhos para acessar a internet do smartphone – ou da ingenuidade de quem escolhe “admin” como senha de segurança. 

A prática de sair por aí detectando sinais de rede em uma área tem nome: wardriving, variação do método popularizado nos anos 80 que consistia em discar números aleatórios de telefone até encontrar um modem (wardialing). Acessar redes sem autorização é eticamente questionável e se chama piggybacking (termo para pegar carona nos ombros de alguém).

Eu, de minha parte, pratiquei warwalking só por diversão. Fico imaginando o momento em que a pessoa batizou o sinal e, emocionado, lançou-o para o universo.

Minha rede preferida era a RickyMartinForever, fornecida pelo morador anônimo de um prédio em Santa Cecília e acessada pelos pacientes da clínica de fisioterapia que eu costumava frequentar.

Em Campos Elísios há redes com o nome “cutícula”, “maritaca voadora” e “avante zóião”. Em Diadema, o dono da “Patópolis” é vizinho à “Casa do Bozo”. O largo do Arouche abriga as redes “podre” e “Rodolfo o GATO”.

Criativos são os residentes da Consolação: lá se encontram as redes “Not in Kansas anymore”, “sou maravilhoso”, “it’s Britney bitch”, “Playboy Mansion”, “etdamaopreta”, “nenê careca”, “tigre cintilante” e “jesus rodrigo”. No Centro, a ótima “homelete”.

Há cinco categorias de nomes: os de família (“Família Pessoa”), os de logradouros (“apto64”), os de pessoa física ou jurídica (“Casa do Croquete”, “Silas”), os de máquinas (dlink, linksys, HP568 Desk) e os hostis (“Vai conectar na mãe”, “Querusar?Paga!”, “Conexão com Satanás” e “Vcnaotemmaisoquefazer”).

Na rua Dr. Vila Nova, temos “Datavenia”, “Árvore”, “Comuna” e “Comuna-1871”. Na Major Sertório, “Capivara Hermafrodita”, “Batcaverna” e “Raskonikov Uai Fai”.

A av. 9 de Julho conta com a curiosa “Release the Bacon”, e, na Turiassu, o depressivo: “foreveralone”. Há um “Balzac” e um “Casanova”, além de um “Batata” e um “Tadeuzão”. Na rua das Palmeiras, o wi-fi do “mindigo”.

Em Santana, o “Balneário 1” e o “Balneário 2”, além do misterioso “Oi querida procurando…”, cujo final não pude distinguir, mas deve ser impublicável.

Blog da Companhia das Letras
12 de agosto de 2013

Por Vanessa Barbara

 funny library sign furia bibliotecario
Perigo: é proibido ingerir comida ou bebida nas proximidades deste computador, sob pena de incitar a fúria do diretor da biblioteca.

 

O texto a seguir é a tradução de um artigo de Umberto Eco publicado no livro How to Travel with a Salmon & Other Essays. Foi escrito em 1981 e sugerido por uma leitora deste blog.

Lembramos aos presentes que se trata de um artigo bem-humorado e crítico sobre os vícios na administração das bibliotecas públicas escrito por um usuário frequente destas, não um libelo antibiblioteca ou uma tentativa de exterminar todos os profissionais da área e trocá-los por vendedores de livrarias, favorecendo assim a sanha capitalista em detrimento do processo de equalização social das bibliotecas públicas e renegando os valores elementares de acesso à leitura e melhoramento da humanidade, a fim de perpetrar a estratificação social e impedir a ilustração de todos os setores da sociedade etc. etc.

(Por favor, não me excomunguem do cadastro unificado do Sistema Municipal de Bibliotecas.)

* * * 

Como organizar uma biblioteca pública
por Umberto Eco (tradução de Vanessa Barbara)

 

1. Os diversos catálogos devem ser alocados com o máximo possível de separação entre si. É preciso apartar adequadamente o catálogo de livros do catálogo de periódicos, e ambos do catálogo por assunto; da mesma forma, as aquisições recentes devem ser mantidas bem distantes do acervo antigo. Se possível, a grafia adotada nos dois catálogos (aquisições e acervo) deve ser diferente. No caso das aquisições, por exemplo, assovio deve ser grafado com v, e no acervo deve constar assobio com b. Um Chaikovskii da área de lançamentos irá seguir a classificação da Biblioteca do Congresso; no acervo o nome será grafado à moda antiga, com Tch.

2. A classificação por assunto deve ser determinada pelo bibliotecário. Na folha de rosto com os dados para catalogação não deve haver nenhuma indicação do assunto sob o qual o livro poderá ser listado.

3. Os códigos de catalogação devem ser incompreensíveis e, se possível, extremamente complexos, a fim de que não haja espaço na papeleta de solicitação de livros para incluir os últimos numerais, que portanto seriam descartados como irrelevantes. Então o atendente pode devolver o papel com uma advertência para o usuário preenchê-lo de forma adequada.

4. O tempo decorrido entre o pedido e a entrega do livro deve ser o mais longo possível.

5. Deve-se liberar apenas um volume por vez.

6. Assim que o pedido de consulta for corretamente preenchido, os livros cedidos pelo atendente não podem ser transportados à seção de obras de referência, forçando assim os pesquisadores a cindirem sua vida profissional em dois aspectos fundamentais: de um lado, ler, e do outro, consultar referências. A biblioteca deve desencorajar, mencionando os perigos do estrabismo, quaisquer tendências multidisciplinares ou tentativas de leitura de vários livros ao mesmo tempo.

7. Na medida do possível, não deve haver máquinas de xerox disponíveis; se tal máquina existir, o acesso a ela precisa ser necessariamente demorado e cansativo, as taxas devem ser bem mais altas do que as praticadas nas copiadoras da região e o número máximo de páginas reproduzidas não pode exceder dois ou três.

8. O bibliotecário deve tratar o leitor como um inimigo, um perfeito desocupado (caso contrário estaria trabalhando) e um ladrão em potencial.

9. A sala do bibliotecário-chefe deve ser inexpugnável.

10. Empréstimos devem ser desencorajados.

11. Empréstimos entre bibliotecas devem ser inexequíveis ou, no mínimo, demandar vários meses para se concretizarem. Em todo caso, o ideal é garantir a impossibilidade de consultar o acervo das outras bibliotecas.

12. Devido a essa política, o roubo se torna bastante fácil.

13. O horário de funcionamento deve coincidir precisamente com o horário comercial, determinado em reuniões prévias com os sindicalistas locais e a Câmara do Comércio; o não funcionamento aos sábados e domingos, à noite e no horário de almoço é uma prerrogativa óbvia. O maior inimigo da biblioteca é o estudante que trabalha; seu melhor amigo é Thomas Jefferson, que possuía uma enorme biblioteca privada e portanto não precisava frequentar bibliotecas públicas (às quais ainda assim legou seus livros como herança).

14. Deve ser proibido consumir qualquer tipo de lanche no interior da biblioteca; tampouco permitido sair desta para alimentar-se em outro lugar sem antes devolver todos os livros em utilização, obrigando assim o estudante a preencher novas solicitações depois de tomar um mísero café.

15. Deve ser impossível encontrar, no dia seguinte, o livro consultado na tarde anterior.

16. Deve ser impossível descobrir quem está na posse de um volume atualmente em empréstimo.

17. Se possível, não manter nenhum banheiro público disponível.

18. Idealmente o leitor deve ser impedido de entrar na biblioteca. Se por acaso conseguir fazê-lo, usufruindo com tediosa insistência de um direito garantido nos princípios de 1789, porém jamais assimilado pela sensibilidade coletiva, ele nunca, mas nunca mesmo — com exceção a rápidas visitas às seções de referência — deve ter acesso ao templo sagrado das estantes.

 

* * * * *

Meus acréscimos:

19. Quarenta minutos antes do fechamento da biblioteca, é necessário fazer soar um alarme estridente e dúbio, a fim de inquietar os usuários e incutir-lhes a dúvida de incêndio.

20. Meia hora antes do fechamento da biblioteca, deve-se acionar uma buzina e um aviso ao microfone anunciando que o estabelecimento está para encerrar suas atividades. Solicitações de empréstimo não serão mais aceitas, assim como devoluções — sobretudo as de última hora. Recomenda-se que a buzina esteja sempre com defeito e funcione por aproximadamente dez minutos ininterruptos, sem que ninguém faça caso disso.

21. É sempre mais importante terminar a leitura do catálogo de cosméticos antes de atender os usuários. O mesmo vale para sessões vigorosas de lixamento de unhas e telefonemas pessoais.

22. O real fechamento da biblioteca deverá ocorrer quinze minutos antes do fechamento oficial, acelerado por rondas insistentes de funcionários que começarão a varrer o chão e empilhar as cadeiras.

23. O processo de apagar as luzes e trancar as portas deve levar exatos quinze minutos, e não por desejo de cumprir o expediente: é que deve haver funcionários para balançar a cabeça em negativa quando um leitor fatalmente aparecer atrasado para devolver um livro.

24. Convém se queixar o tempo todo do aumento no índice de furtos e da lamentável depredação ao patrimônio emprestado, dando a entender que o povo não merece um serviço gratuito e de qualidade.

25. O estatuto administrativo deve se sobrepor a toda e qualquer noção de bom-senso no atendimento. Donde: é proibido trazer lanche para prevenir as manchas de molho de tomate na página e a proliferação de insetos alados no ambiente da biblioteca; é proibido espiar a lombada de um livro e empurrá-lo de volta porque assim se pode arruinar todo o sistema de catalogação e condenar determinada obra a um vórtice temporal; é proibido entrar com bolsas e mochilas para não incentivar meliantes; é proibido se emocionar com um romance porque as lágrimas podem apodrecer o papel; é proibido, enfim, o que quer que você esteja arquitetando ao olhar para essa estante de forma duvidosa e com as mãos para trás. Movimentos suspeitos serão punidos e a multa para atraso na devolução deverá ser maior do que a de tráfico de drogas. O roubo de livros será julgado por uma corte marcial e até crianças poderão ser condenadas à prisão.

26. Na dúvida, dificulte.

Voz online

Posted: 9th agosto 2013 by Vanessa Barbara in Crônicas
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Revista Harper’s Bazaar
Agosto de 2013

por Vanessa Barbara

Tenho acompanhado com rigor e método a cobertura das manifestações populares pelo Facebook, como um interessado em finanças que abre o The Wall Street Journal todos os dias no café da manhã.

Meus correspondentes preferidos são um amigo que é analista de marketing e mora a duas quadras do Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, e outro que é detentor de uma janela privilegiada na Haddock Lobo, na Consolação, em São Paulo, bem onde a Tropa de Choque costuma confraternizar com os manifestantes.

O primeiro é dado a coberturas em tempo real e funciona como uma agência de notícias que repassa as informações dos colegas. O segundo é mais opinativo, tem novidades em primeira mão e vive rimando “polícia” com “delícia”. Jornalista de formação e pai de uma menina, ele admitiu que “o Brasil acordou. Mas pediu só mais cinco minutinhos, deitado no berço esplêndido”.

(Contrariando as expectativas, ele chegou até a colaborar com o comando da Polícia Militar dando informações sobre o trajeto da manifestação. “Para ajudá-lo, vazamos o seguinte mapa que circula dentro do movimento: nele percebemos que os vândalos sairão do Leste Europeu em 330 d.C., atravessarão a Europa, cruzando com os hunos e os visigodos, e chegarão à África em 419 d.C., de onde partirão para saquear Roma, em 455 d.C”, informou.)

Ágil e polifônica, a cobertura das manifestações pelas mídias sociais tem algo de quixotesco. Além de divulgar os protestos oficiais do Movimento Passe Livre, o Facebook serviu para propagar dois grandes eventos no mês passado: a Manifestação Contra a Copa de 1954, que ocorreu numa tarde de sábado, e a Levitação do Palácio dos Bandeirantes, no dia 18 de junho, organizada por um amigo que é cientista político.

“Em 1967, cidadãos pró-paz nos Estados Unidos tentaram levitar o Pentágono, que tomava decisões desastradas e assassinas na Guerra do Vietnã. Em 2013, me parece razoável tentar levitar o Palácio dos Bandeirantes, onde trabalha o governador do estado de São Paulo”, explicou.

Em plena Copa das Confederações, também foi anunciado um novo direcionamento para os protestos: “Acabo de criar o Movimento Passe Certo”, decidiu um jornalista na minha timeline. “Não vamos sair das ruas enquanto Hulk e Daniel Alves seguirem na Seleção”.

Na rede foi possível aprontar-se para os confrontos escolhendo a indumentária adequada (casaco impermeável, tênis) e os acessórios essenciais para se proteger das bombas de gás e spray de pimenta: óculos de natação, máscara de soldador, snorkel e cilindro de oxigênio. “Tem que ver o que é permitido além do vinagre”, alertou um programador de computadores. “Acho que chá de boldo e molho shoyu foram vetados.”

Meu vizinho da frente, que é policial militar, também contribuiu com sua visão dos acontecimentos. Os amigos cariocas, mineiros, gaúchos e baianos me mantiveram informada sobre o andamento dos protestos pelo Brasil, enquanto meus conterrâneos alertavam sobre os trajetos, localização da polícia, presos e feridos – tanto quanto o 3G permitia.  

 

FORMAÇÃO DE QUADRILHA 

A Revolta da Salada foi o assunto que dominou as madrugadas juninas. Após muito debate, chegou-se à conclusão de que a “cebola será a próxima”. Primeiro caiu o tomate (muito caro), depois o vinagre (muito revolucionário), então logicamente a próxima vítima do vinagrete seria a cebola. “Que tem múltiplas camadas, como a sociedade”, filosofou um analista de sistemas.

Alguns jovens se organizaram pelo Facebook e, de chapéu de palha e trajes caipiras, compareceram aos atos portando uma faixa: “Formação de quadrilha”.

Os slogans mais compartilhados foram: “O povo/ Unido/ É gente pra caralho” e “Dilma, que vergonha/ A tarifa está mais cara que a maconha”, além do instrutivo: “Eu já falei/ Vou repetir/ Eu já falei, vou repetir”.

Os portadores de cartazes também ganharam inspiração adicional com os comentários no Twitter. “Eu tô tão puto que fiz um cartaz” foi o mais popular, seguido de perto por “3,20 só se for open bar” e “Pelo direito de ficar parado”.

Um dos trocadilhos mais infames foi cometido na legenda de uma foto: “Tropa de nhoque vai de encontro às massas”. Também gostei da imagem de um flautista mambembe entretendo as forças policiais, da foto antiga de um protesto contra o aumento na tarifa do bonde e do vídeo de um jovem dançando uma canção dos Bee Gees diante dos “poliça”.

Em Belo Horizonte, correram boatos de que o governo pretendia mandar a Marinha para conter os manifestantes, pois tinha “um mar de gente se aproximando”.

Na tarde dos protestos de 13 de junho, a imagem mais repassada era de uma enquete promovida pelo apresentador José Luiz Datena, na qual ele perguntava: “Você é a favor de protesto com baderna?”. A turma do “sim” ganhou por 2351 votos a 998.

O personagem mais comentado foi um rapaz enorme, careca e com o rosto pintado de branco, que ficou encarando um grupo de anarquistas durante o ato na Avenida Paulista e quase apanhou. Questionado por um repórter, disse, em voz baixa, ser um estudante de psicologia fazendo uma experiência comportamental.

Já meu post preferido foi o de uma moça que, na passeata, encontrou uma amiga que não via há anos e com quem fez aulas de kung fu. “Ao avistá-la, corri em sua direção e fingi que ia dar-lhe uma bicuda na cara”, contou. “Ainda gritei: ‘iááááááá!’. Mas não era ela.”

 

OS NINJAS TOMAM AS RUAS

Foi através das redes sociais que fiquei sabendo da Pós TV (www.postv.org), emissora livre que faz frente aos veículos tradicionais utilizando a tecnologia do streaming (transmissão simultânea de vídeo pela internet). De celular em punho, os jornalistas da Mídia Ninja (Narrativas Independentes, Mídia e Ação) cobriram as manifestações ao vivo, conversando com populares, fugindo da polícia e andando até 10 km sem parar. Num dos links (http://twitcasting.tv/ninja2rj), há uma caixa de comentários através da qual os espectadores podem opinar e fazer perguntas.

No dia 11 de julho, os ninjas acompanharam a greve em mais de 20 cidades, com uma audiência de aproximadamente 20 mil pessoas por link. Os últimos protestos no Rio de Janeiro contaram com três ninjas gravando em pontos diferentes.

Madrugada adentro, o correspondente da TV Globo em Nova York, Jorge Pontual, chegou a tuitar: “Se a bateria do Ninja não morrer, eu não durmo esta noite”.

O coletivo foi criado para atender à demanda por um novo tipo de jornalismo, com uma lógica múltipla que agregasse referências distintas e um contato com acontecimentos mais próximos do indivíduo. “Há uma crise dos intermediários, sejam os partidos ou a própria mídia”, afirmou um dos fundadores em entrevista para o jornal Meio&Mensagem. “A rede e a rua se fundiram”, concluiu.

É curioso perceber que debates tão importantes como a crise na representatividade democrática e o modelo de transporte público que queremos adotar nas cidades tenham sido suscitados por comentários muitas vezes despretensiosos e apartes irônicos nas mídias sociais, ganhando as ruas e desembocando no que o historiador britânico T. J. Clark chamou de “momento político extraordinário” do país. No fim das contas, o celular e as redes sociais podem até propiciar uma gestão flexível da nova política, aumentando em muito a potencialidade da democracia direta.

No Facebook, há poucas semanas, meu amigo com camarote na rua Haddock Lobo se queixou da volta súbita das postagens cotidianas em sua timeline. “Já vi até gente falando do frio em São Paulo. Tudo normal de novo. Seguem fotos das férias em família”, informa, um tanto decepcionado.

Garoa nos olhos

Posted: 5th agosto 2013 by Vanessa Barbara in Crônicas, Folha de S. Paulo, Revista
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Folha de S.Paulo – Revista sãopaulo
4 de agosto de 2013

por Vanessa Barbara

“Minha Londres das neblinas finas!”, exclamou Mário de Andrade num poema sobre a capital paulistana. “Faz frio, muito frio…/ […] Meu coração sente-se muito alegre!/ Este friozinho arrebitado/ dá uma vontade de sorrir!”

Na noite de 25 de julho, 30 pessoas pesadamente encapotadas se encontraram diante do Theatro Municipal para participar da 400ª edição da Caminhada Noturna pelo centro de São Paulo.

Chovia e os termômetros marcavam 8°C. O vento era “como uma navalha nas mãos dum espanhol”.

Na rua, quase ninguém além dos bravos expedicionários, que portavam uma enorme bandeira amarela e arrastavam pela noite uma caixa de som numa bicicleta.

Desde setembro de 2005, o grupo se reúne todas as quintas, às 20h, para caminhada temática com a presença de especialistas em áreas como arquitetura, urbanismo e história. O evento é gratuito, dura cerca de duas horas e costuma agregar grupos de 50 a 100 pessoas.

No 399º passeio, o assunto foi a Revolução de 1932. No quadringentésimo, o foco foi o poeta, musicólogo e folclorista Mário de Andrade –o roteiro passou pela Biblioteca Municipal que leva seu nome e pelo primeiro parque infantil idealizado por ele (na praça da República).

Além de fundador do modernismo e figura central da vanguarda artística, Mário foi diretor do Departamento de Cultura da Prefeitura. Provavelmente gostava da cidade quase tanto quanto Carlos Beutel, 58, idealizador da caminhada e dono do restaurante vegetariano Apfel, que patrocina a iniciativa.

Ao lado do guia turístico Laercio Cardoso de Carvalho, ele comenta o passeio, define o trajeto e golpeia distraidamente os presentes com a bandeira oficial do grupo, que ganhou até um cabo extensor para evitar acidentes mais graves.

Carlos conta que, antes, comunicavam-se com um megafone. Hoje já possuem um “som motorizado”, que consiste num alto-falante com microfone transportados numa bicicleta. “Na caminhada de número 500 vamos inaugurar um trio elétrico.”

Nesses oito anos, os passeios guiados abordaram temas como maçonaria, Corinthians, Partido Comunista, grafite, Parada Gay, idioma guarani, Adoniran Barbosa, catadores de lixo, Minhocão e circo.

Entre os convidados destacaram-se os síndicos do Copan e do Martinelli, durante a celebração do aniversário da cidade, em 2010; e os diretores da Associação dos Criadores de Lobisomens de Joanópolis e da Sociedade dos Observadores de Saci, em 2011, quando o passeio especial à meia-noite reuniu mais de 600 pessoas.

A caminhada comemorativa terminou com pés molhados e pizza. “Enquanto o cinzento das ruas arrepiadas/ dialoga um lamento com o vento…”

Verbos dicendi

Posted: 1st agosto 2013 by Vanessa Barbara in Sem categoria
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cortesia da prof. Nanami Sato

  1. acentuar
  2. achar
  3. aconselhar
  4. acreditar
  5. acrescentar
  6. acusar
  7. adiantar
  8. admitir
  9. advertir
  10. advogar
  11. afirmar
  12. alarmar-se
  13. alegar
  14. alegrar-se
  15. alertar
  16. alfinetar
  17. aludir
  18. ameaçar
  19. analisar
  20. antecipar
  21. anunciar
  22. apontar
  23. apregoar
  24. aprovar
  25. argumentar
  26. arrolar
  27. articular
  28. assegurar
  29. asseverar
  30. assumir
  31. atestar
  32. avaliar
  33. avisar
  34. balbuciar
  35. brincar
  36. calcular
  37. citar
  38. cobrar
  39. colocar
  40. comentar
  41. complementar
  42. completar
  43. comprovar
  44. comunicar
  45. conceituar
  46. conciliar
  47. conclamar
  48. concluir
  49. concordar
  50. condenar
  51. confessar
  52. confirmar
  53. considerar
  54. constatar
  55. contar
  56. convencer
  57. corrigir
  58. corroborar
  59. cortar
  60. criticar
  61. decidir
  62. decifrar
  63. declamar
  64. declarar
  65. defender
  66. definir
  67. delegar
  68. demonstrar
  69. denominar
  70. denunciar
  71. depor
  72. desafiar
  73. descrever
  74. desculpar-se
  75. desmentir
  76. destacar
  77. discorrer
  78. discursar
  79. discutir
  80. dizer
  81. duvidar
  82. endossar
  83. entusiasmar-se
  84. enumerar
  85. enunciar
  86. esclarecer
  87. exemplificar
  88. explicar
  89. expor
  90. expressar
  91. exprimir
  92. falar
  93. finalizar
  94. frisar
  95. fundamentar
  96. garantir
  97. gracejar
  98. ilustrar
  99. imaginar
  100. indagar
  101. indicar
  102. informar
  103. insinuar
  104. insistir
  105. interpretar
  106. ironizar
  107. julgar
  108. justificar
  109. lamentar
  110. lembrar
  111. listar
  112. manifestar
  113. mencionar
  114. mostrar
  115. murmurar
  116. narrar
  117. notar
  118. objetar
  119. observar
  120. opinar
  121. ordenar
  122. participar
  123. partilhar
  124. perguntar
  125. pontificar
  126. pregar
  127. presumir
  128. prevenir
  129. proclamar
  130. proferir
  131. prometer
  132. pronunciar
  133. propor
  134. prosseguir
  135. protestar
  136. provocar
  137. publicar
  138. ratificar
  139. reafirmar
  140. reagir
  141. rebater
  142. reclamar
  143. recomendar
  144. reconhecer
  145. reconsiderar
  146. recordar
  147. referir-se a
  148. reforçar
  149. refutar
  150. reivindicar
  151. relatar
  152. reprovar
  153. resmungar
  154. retificar
  155. retrucar
  156. ressaltar
  157. ressalvar
  158. resumir
  159. revelar
  160. salientar
  161. sugerir
  162. surpreender-se
  163. sussurrar
  164. transcrever
  165. vaticinar