O novo código das ruas

Posted: 16th maio 2014 by Vanessa Barbara in Crônicas, Folha de S. Paulo
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Folha de S.Paulo – online
16 de maio de 2014

por Vanessa Barbara

Ontem à noite, em São Paulo, o protesto contra a Copa começou com uma novidade: em vez de tarjetas de identificação, os policiais traziam bordado no uniforme um misterioso código de dez dígitos. No lugar de “SD PM ANANIAS”, por exemplo, o soldado atendia pela alcunha de SD142288M1, seu número no Registro Estatístico e a sigla do batalhão ao qual pertence.

Para denunciar eventuais excessos, portanto, a vítima faria bem em sofrê-los com um bloco de notas em punho, ou repassando mentalmente os dígitos com a ajuda de técnicas mnemônicas. “Parece chassi de carro”, comentou um anônimo. “Vou te contar: apanhei do SD14207201 ao SD142072209”, exemplificou outro, mais prático.

Não sei qual seria a justificativa oficial para essa medida, que não foi comunicada com antecedência nem divulgada pelos meios de comunicação. Mas muitos advogados presentes falaram em má-fé da Secretaria de Segurança Pública, uma confissão premeditada de descaso perante a legitimidade e os métodos da ação policial durante os protestos de rua. Segundo eles, seria mais uma forma de ocultar ilegalidades e abusos dos agentes da lei, que, aliás, costumam deter manifestantes por usarem máscaras e esconderem seus rostos, argumentando sem razão que “usar máscara é proibido pela Constituição”. Quando confrontados, dizem que existe uma lei a respeito – referindo-se provavelmente à lei em vigor no estado do Rio de Janeiro.

Ontem à noite, o protesto durou vinte minutos. Começou com cerca de 2 mil pessoas na praça do Ciclista, rodeadas por número igual ou superior de policiais. Integrantes de diversos movimentos sociais desceram a rua da Consolação na sétima edição do ato “Se Não Tiver Direitos, Não Vai Ter Copa” – que nem oniricamente almeja impedir a realização do megaevento futebolístico, do contrário explodiria estádios e sairia às ruas com metralhadoras, mas bate ponto em reclamar contra os gastos públicos, as remoções violentas, as mortes nas construções, a desigualdade e a repressão.

A marcha terminou a quatrocentos metros dali, na esquina com a rua Matias Aires, quando um cordão policial aproximou-se demais dos manifestantes, causando atrito. Um oficial trombou com um fotógrafo e pediu desculpas. Outro empurrou uma menina pelo braço. A massa puxou um coro contra a violência policial e rimou “chacina” com “polícia assassina”, enquanto manifestantes pediam calma. A situação durou quatro minutos, ao longo dos quais a tropa foi ficando apavorada. Alguém pode ter espirrado. Outros deram socos numa porta de alumínio. Então a polícia disparou duas bombas de efeito moral aos pés da multidão.

O que se seguiu foi o de sempre: muita correria, mais reforços policiais chegando e bombas de gás lacrimogêneo sendo arremessadas em direção à massa. Viaturas subiam nas calçadas e arremetiam com raiva. Alguns manifestantes revidavam com pedras e garrafas de plástico, enfurecendo ainda mais os policiais.

Pelo menos seis pessoas ficaram seriamente feridas por estilhaços de bombas de efeito moral, sendo três jornalistas, que foram atendidos pelos socorristas do GAPP (Grupo de Apoio ao Protesto Popular). Uma policial militar também se feriu. A conta final foi um pé quebrado, um tênis dilacerado, duas pernas fraturadas e um rosto atingido; todos foram transportados para o hospital por iniciativa dos próprios manifestantes e de funcionários de um hotel próximo. Uma concessionária foi depredada, assim como os vidros de duas agências bancárias.

Em meio àquilo que a imprensa costuma chamar de “confronto”, o padre Júlio Lancellotti foi atingido na perna por um estilhaço de bomba. Presente em todos os protestos até agora – mas, ao que tudo indica, sem histórico de vandalismo em lixeiras -, o padre se disse impressionado com a truculência. “Se alguns atearam fogo no lixo, por que jogaram bombas em cima de todos?”, disse ele no Facebook. “A PM diz que vai para garantir o direito de manifestação, que é democrático, mas o que se vê é repressão e reação.”

O defensor público Carlos Weis também estava no ato e falou em “violência desmedida e desnecessária. […] O que vimos aqui hoje foi o cerceamento do direito de se manifestar”, resumiu, em entrevista para o site SPressoSP.

Muitos condenam com furor o vandalismo e a depredação de propriedades como forma de protesto, mas não dizem uma só palavra contra a recorrente violação de direitos constitucionais nos atos. Lamentam vidros de bancos, mas não pessoas feridas. Justificam a brutalidade policial quando não concordam com o teor do protesto, fechando os olhos para injustiças que um dia podem chegar até eles, os cidadãos de bem que pagam seus impostos e não se metem em encrenca.

O exemplo mais gritante é o das “prisões para averiguação”, que não são permitidas pela Constituição, ainda que sejam bastante comuns. (Quem ameaça argumentar ainda acaba sendo acusado de desacato ou resistência à prisão.) Como todos sabem, as únicas modalidades de detenção previstas por lei são em flagrante delito ou por ordem judicial.

A cada manifestação, vemos a polícia impedindo advogados de acompanharem revistas e apreensões; além disso, não lhes são fornecidos os motivos das detenções e nem o destino dos manifestantes, direitos que constam em lei. Também a imprensa é cerceada e impedida de registrar os acontecimentos. Nas ruas e avenidas, a passagem é fechada por hordas de policiais armados, que fundamentam o bloqueio por “motivos de segurança”. Às vezes as justificativas beiram o absurdo: ontem um amigo foi agredido por estar filmando uma apreensão, o que seria ilegal “segundo o artigo 81 da Constituição” (que discorre sobre as eleições para presidente e vice).

Deve ser um código para “é assim porque eu quis”.

Ps. Quem estiver insatisfeito, anote o número do protocolo para reclamação: SD2142288K8. 

Feliz 2008

Posted: 13th maio 2014 by Vanessa Barbara in Sem categoria

2014.02.10 - Feliz 2008 Jova Rural

Foto tirada em 10 de fevereiro de 2014. Este é o letreiro do ônibus 1701 – Jova Rural / Metrô Santana.

Novos indicadores para o IBGE

Posted: 12th maio 2014 by Vanessa Barbara in Crônicas, Folha de S. Paulo, Revista
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Folha de S.Paulo – revista sãopaulo
11 de maio de 2014

por Vanessa Barbara

Tomado por um respeitável furor estatístico, meu vizinho Mauro contabilizou um total de catorze Fuscas na nossa área, num raio de quinhentos metros.

Só na minha rua, temos sete tartarugas de água doce, cinquenta cachorros, uma mesa de pingue-pongue, um caminhão desmontado, duas caçambas, um pé de amoras e o maior índice de rádios de pilha da região metropolitana: 3,4 per capita. (A contagem é aproximada e carece de checagem; consta que o próprio Mauro inflacionou esta média ao possuir oito unidades.)

Não sei quem é o responsável por definir os critérios de classificação socioeconômica utilizados pelo IBGE, mas proponho novas categorias para a estratificação das massas, sobretudo na microrregião da zona norte.

No questionário-padrão, é comum perguntar a quantidade de geladeiras e máquinas de lavar no domicílio. Proponho trocar esse índice pelo número de máquinas de costura e filtros de barro. Se o botijão de gás possuir roupinha de crochê, a família ganha pontos adicionais.

O Censo Oficial da Zona Norte substituiria o número de banheiros pela existência de jardins, com a contabilização minuciosa das espécies e o fato de terem ou não nomes individuais. Cachorros com sobrenome também seriam dignos de nota.

A existência de aparelhos de DVD e notebooks deve ser contrabalançada pela presença de engenhocas jurássicas em pleno funcionamento, como máquinas de escrever, videocassetes, antenas externas, vitrolas e computadores com entrada para disquete. Ar condicionado é uma possibilidade, mas ventiladores de pedestal e piscinas de plástico são compulsórios (média de 3,1 por habitação).

O recenseamento contará com perguntas como: “Quando foi a última vez que ouviu o caminhão da pamonha?” e “Você conhece o barbeiro Luiz?”. Em vez de motocicletas haverá o cálculo de bicicletas, skates, carrinhos de rolimã, patins, motocas, pogobóis, charretes, galos e cavalos.

Na Zona Norte, o IBGE terá que recensear individualmente os gatos, que não pertencem a esta ou aquela residência e são considerados indivíduos independentes com domicílio nômade. Os telhados da minha rua são dominados pela gangue do Polaco, um gato branco e calculista que está sempre onde menos se espera. Seus capangas são um felino negro de olhos verdes e outro malhado, de ar ditatorial. Eles dominam as ruas quando anoitece.

Um bom recenseamento por estas bandas priorizaria a quantidade de varais de corda e puxadinhos, além de portões de cores exóticas. Entre os itens essenciais num domicílio de classe AAA local constam um telefone de disco, um balde de alumínio e uma raquete de matar mosquitos. 

Protesto pacífico não é notícia

Posted: 30th abril 2014 by Vanessa Barbara in Crônicas, Folha de S. Paulo
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Folha de S.Paulo – online
30 de abril de 2014

por Vanessa Barbara

Ontem à noite houve, em São Paulo, mais um protesto “Se Não Tiver Direitos, Não Vai Ter Copa”, que reuniu cerca de 800 pessoas nos arredores da estação Tatuapé do metrô. Por mais de quatro horas, o grupo seguiu em marcha até a praça da Sé, ladeado por um contingente policial duas vezes maior do que o próprio ato.

A marcha foi teoricamente pacífica, que é o que se diz quando não há vidros quebrados, lixeiras amassadas ou veículos em chamas. Ainda assim, o trajeto de oito quilômetros foi dominado por forte tensão, entre a insegurança geral e a certeza de que não chegaríamos ao final.

Desde o início, ainda na rua Tuiuti, a polícia impediu a passagem dos manifestantes com cordões de homens, motos, viaturas e a Tropa de Choque. Fecharam a saída para a Radial Leste, assim como todas as ruas do entorno, num cerco sem sentido que só não acabou em tragédia porque, após aproximadamente meia hora, a passagem foi enfim liberada. Cerco após cerco, os manifestantes abriram caminho por ruas laterais e conseguiram chegar à Radial, onde, com o alargamento do espaço, os ânimos se acalmaram. Dois helicópteros sobrevoaram a região durante boa parte do tempo. O ato seguiu o caminho original, em direção ao centro.

Segundo a Polícia Militar, antes do início da caminhada, três adolescentes foram detidos com facas e estiletes.

Por volta das 23h, houve um momento crítico em que a polícia tentou deter um manifestante e ameaçou ir para cima dos que foram reclamar. Duas garrafas de plástico foram atiradas contra as autoridades, que revidaram com spray de pimenta e golpes de cassetete. Um rapaz ficou ferido e foi atendido pelos socorristas do GAPP (Grupo de Apoio ao Protesto Popular), mas, antes que a confusão se instaurasse, os próprios manifestantes pediram calma e prosseguiram.

Nesse momento, um policial sugeriu que “descessem a porrada nesse bando de lixo”, mas, por sorte, não foi atendido.

Pouco antes, outro policial confessou, em off, que concordava com os protestos e só queria que os manifestantes chegassem bem —e assim foi. Conforme pregava uma pichação vista no caminho, o tom do ato foi: “Sem desorde aqui” (sic), pois, afinal de contas, a opinião pública vira as costas quando há confusão.

Foi uma das lições que os manifestantes aprenderam no decorrer dos cinco últimos atos: primeiro, que a opinião pública não liga tanto para gente ferida, mas abomina fervorosamente a brutalidade contra vidros de banco. Segundo: que ninguém pode fazer movimentos bruscos para não alarmar as autoridades. Terceiro: que uma das definições mais amplas de “confronto” é quando civis desarmados apanham a valer, ainda que não revidem.

E, por último, que o tempo de reclamar contra os gastos públicos na Copa foi há sete anos e que agora aparentemente não há mais razão de fechar avenidas e perturbar a ordem pública, e que portanto todos os que estão na rua a essa altura do campeonato são massa de manobra do neofascismo / do comunismo / do reumatismo, e precisam é de louça pra lavar.

Em todo caso, o protesto foi pacífico, então, para todos os efeitos, praticamente não existiu.

Fusca Azul! Pow! Soc! Plaf!

Posted: 27th abril 2014 by Vanessa Barbara in Crônicas, Revista
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Folha de S.Paulo – revista sãopaulo
27 de abril de 2014

por Vanessa Barbara

Nem todos conhecem a Brincadeira do Fusca Azul, tradição ancestral que consiste em socar vigorosamente o próximo ao avistar um automóvel da cor e marca supracitados.

Também chamada de “Punch Buggy” e “Beetle Bug”, a galhofa teve origem nos anos 60 como um inocente passatempo de estrada, e foi posteriormente capitalizada pela marca Volkswagen em comerciais de tevê. No livro The Official Rules of Punch-Buggy, Ian Finlayson e Michael Lockhart cogitam que a brincadeira tem raízes no Egito antigo, o que obviamente se trata de uma graçola.

A prática é regida por um único mandamento: “O primeiro a vislumbrar um fusca azul no caminho tem o direito de aplicar um soco no ombro de quem estiver nas redondezas, gritando com fervor: FUSCA AZUL!”. Ao perdedor é vedado retribuir o golpe, a menos que aviste outro VW de tom cerúleo.

Quanto à força utilizada, devem-se observar os preceitos de proporcionalidade, sendo, portanto, pouco recomendável nocautear uma velhinha frágil que atravessava a rua quando, no horizonte, surgiu um garboso “besouro” azul. Inimigos de longa data devem aceitar a brutalidade da pancada como uma dessas coisas da vida que não se pode contestar, como as saladas com rúcula e o time da Portuguesa.

É válido golpear desconhecidos e desafetos sob tal justificativa, embora não conste (ainda) uma cláusula no Código Penal que conceda ao avistamento de um fusca a condição de atenuante em casos de lesão dolosa, sobretudo na região escapular. Alguns juízes, porém, já legislaram a respeito, como no caso “Meirelles vs. Coutinho”, em que este foi acusado de agressão ao colega, mas uma testemunha corroborou o avistamento do fusquinha.

“Mas o senhor réu chegou a gritar: ‘Fusca Azul’?”

“Sim, meritíssimo.”

“Então o declaro inocente. Estão dispensados.”

Outras normas da modalidade dispõem sobre falsos avistamentos; nesse caso, há duas saídas: a vítima pode imediatamente conferir um soco duplo em seu carrasco ou contabilizar o dano sofrido como bônus para o próximo fusca que lhe escapar da vista.

Nas regiões mais abastadas de São Paulo, tem sido cada vez mais difícil vislumbrá-los, mas os fuscas azuis ainda abundam nos rincões da Zona Norte. (Outro dia vi um fusca azul ao lado de uma Kombi verde, e pensei que teria razão em dar uma voadora em alguém, coisa que só não fiz por falta de normatização a respeito.)

A verdade é que não há tristeza maior do que ver um fusca azul e não ter ninguém por perto a quem comunicar tal alegria. Ainda assim, sempre existe a opção de comprar um e passar bem devagar em frente a uma escola, só para ver a magia acontecer. 

Life as a Brazilian woman

Posted: 25th abril 2014 by Vanessa Barbara in New York Times, Reportagens
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The International New York Times
April 24th, 2014

by Vanessa Barbara
Contributing Op-Ed Writer

SÃO PAULO, Brazil — Can a misogynistic country have a female president? Brazil proves that the answer is yes. More than three years into the administration of President Dilma Rousseff, not much has changed for Brazilian women. Feminism is still often viewed as ridiculous extremism. Misogyny is rationalized or dismissed as irony, while rape is trivialized, or even excused.

A few years ago, a famous Brazilian comedian joked about the ugliness of victims of rape he saw protesting on the streets. “Why are you complaining?” he asked. “The men who did this don’t deserve to be imprisoned, but hugged.”

Some claimed it was just a joke, but it clearly revealed what Brazilians think about that topic: Come on, men and women are equal now; there’s no need to make such a fuss.

Only that’s still very far from the truth. According to a recent survey by the Institute for Applied Economic Research, 26 percent of Brazilians agree that women who wear revealing clothes deserve to be assaulted. In the same poll, 59 percent said they thought that there would be fewer rapes if women knew how to behave.

Each year, Brazil sells a hyper-sexualized Carnival to tourists, treating women’s bodies as a national attraction. A news website called G1 recently presented its readers with a quiz: “Whose breast is this?” There were close-ups of nude or seminude breasts from the Carnival parade and readers had to guess to which celebrity they belonged. (I got four answers right out of 10. But then I looked at my own and got a little depressed.)

Ours is a nation obsessed by beauty and slenderness à la Gisele Bündchen. Brazil is second only to the United States in the use of plastic surgery, with 1.5 million operations a year. If you become slightly overweight, Brazilians will comment; you will feel bad about your body and start hesitating in the shadows around swimming pools, like a shy hippopotamus.

Lately there’s been an explosion of fitness bloggers whose jobs are — in theory — to give tips on health. But they face frequent accusations of actually being paid to advertise weight loss products like fat-burning supplements and diet shakes. Their websites tell us that a “negative” belly is the key to happiness.

But this pressure is largely directed at women, and men face much less criticism about their looks. Also their salaries are higher than ours; I earn 35 to 50 percent less than my male colleagues, although we cannot say for sure it is a gender issue. Maybe it’s just lack of talent.

Considering how much public attention is paid to the shapes of bellies and breasts here, and how much of the tourism industry is built on Brazilian beauty, the country is oddly sensitive when it comes to other countries objectifying Brazilian women in the very same way. For instance, it seemed a bit hypocritical when, recently, Brazil’s tourism board told Adidas to stop selling two World Cup T-shirts because of their sexual connotations. One of them had the message “I Heart Brazil,” where the heart was an upside-down buttocks of a woman wearing a thong. The other shirt displayed a girl in a bikini and the slogan “Lookin’ to Score.”

Back in 2002, the tourism board also complained when “The Simpsons” made fun of our country by portraying Brazilian TV shows for children as hosted by seminude women doing sexy moves. (It also portrayed taxis that changed their signs to “hostage” — which was considered an outrage, though I personally found it funny.) A few weeks ago, “The Simpsons” aired another episode about Brazil and the World Cup; it showed a lot of gangsters, corrupt officials and, again, seminude presenters of children’s shows. So far there hasn’t been an official statement, but I wouldn’t be surprised if there was.

But all this is a side note compared with matters of much more serious concern. At major tourist destinations like Rio de Janeiro and Salvador, sexual exploitation, trafficking of women and child prostitution are urgent problems. According to Unicef, there are 250,000 children forced into prostitution in Brazil.

Women struggle daily against sexual harassment, domestic violence and emotional abuse. Here in São Paulo, according to the United Nations, a woman is assaulted every 15 seconds. We’ve recently seen an outbreak of sexual harassment cases in the subway; a feminist group even handed out needles to female passengers, advising the women to defend themselves.

Furthermore, a 2011 government report found that 43 percent of all women have suffered some kind of violence in their own homes. Many victims, even those with higher education, are too afraid to report the abuse.

More than seven years ago, the government enacted a federal law increasing the punishment for domestic violence against women. Since then, the “Maria da Penha Law” — named for a woman whose husband shot her, leaving her a paraplegic, then tried to electrocute her when she returned from the hospital, and still remained a free man for two decades — has had positive results. But there’s still a lot to be done.

Here, as in other parts of the world, there’s nothing like the knot in the stomach women get when walking alone at night, when passing a group of men who suddenly stop talking. There’s nothing like being afraid of your own husband. These are the kinds of moments when Ms. Rousseff doesn’t do us any good.


De quem são esses peitos? (tradução)

Posted: 25th abril 2014 by Vanessa Barbara in Traduções
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International New York Times
24 de abril de 2014

SÃO PAULO, Brasil – Pode um país misógino ter uma mulher como presidente? O Brasil é a prova disso. Depois de quase três anos e meio de administração de Dilma Rousseff, pouca coisa mudou para a mulher brasileira. O feminismo ainda é visto como um extremismo ridículo; a misoginia é racionalizada ou descartada como ironia, enquanto o estupro é trivializado, ou mesmo justificado.

Anos atrás, um comediante brasileiro brincou sobre a feiura das vítimas de estupro que viu protestando nas ruas. “Por que estão reclamando?”, perguntou. “O homem que fez isso não merece cadeia, merece um abraço”.

Alguns afirmam que foi só uma piada, mas claramente revela o que os brasileiros pensam do assunto: Vamos lá, homens e mulheres são iguais; não precisa fazer tanto estardalhaço.

Só que isso está bem longe da verdade. De acordo com uma pesquisa recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 26% dos brasileiros concordam que a mulher que usa roupas curtas merece ser atacada. Na mesma pesquisa, 59% disseram que haveria menos estupro se as mulheres soubessem se comportar.

Todos os anos, o Brasil vende um Carnaval hipersexualizado para os turistas estrangeiros, tratando os corpos femininos como atração nacional. Meses atrás, o site de notícias G1 publicou uma trívia aos leitores: “De quem são esses peitos?”. Havia fotos de seios nus e seminus do desfile de Carnaval e os leitores tinham de adivinhar a que celebridade pertenciam. (Eu acertei quatro de dez, ou melhor, oito de vinte. Depois olhei para os meus próprios e fiquei um pouco deprimida.)

Somos uma nação obcecada pela beleza e magreza feminina à la Gisele Bündchen. O Brasil é o segundo maior do mundo em cirurgia plástica, com 1,5 milhão de operações por ano, perdendo apenas para os Estados Unidos. Somos também o segundo lugar em academias de ginástica, com 23.400 unidades. Por aqui, se você engorda um pouco, as pessoas passam a comentar; você se sente mal com o seu corpo e começa a hesitar na sombra das piscinas, como um hipopótamo tímido.

Recentemente vimos uma explosão de blogueiras de fitness cujo trabalho seria – teoricamente – oferecer dicas de saúde. Mas com frequência elas são acusadas de serem pagas para divulgar produtos de emagrecimento, como termogênicos e diet shakes. Segundo seus blogs, uma barriga negativa é a chave para a felicidade.

Essa pressão é dirigida sobretudo às mulheres, e os homens enfrentam menos críticas à aparência. Também seus salários são maiores que os nossos; eu ganho de 35 a 50% menos que os meus colegas homens, embora não possamos dizer que se trata de uma questão de gênero. Talvez seja só falta de talento.

Considerando o grau de atenção que a opinião pública dá ao formato das barrigas e dos peitos, e o quanto da indústria do turismo é baseada na beleza da mulher brasileira, o país parece ficar estranhamente sensível quando os outros tratam nossas mulheres como objetos. Por exemplo, achei um tanto hipócrita quando, recentemente, o Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) pediu que a Adidas parasse de vender camisetas da Copa do Mundo com conotações sexuais. Uma delas tinha a mensagem “Eu amo o Brasil”, mas o coração foi substituído por um par de glúteos de ponta-cabeça vestindo um fio-dental. A outra camiseta retratava uma garota de biquíni e o slogan: “Lookin’ to Score” [trocadilho entre fazer um gol e pegar uma mulher].

Em 2002, a secretaria de turismo do Rio de Janeiro reclamou quando “Os Simpsons” fez troça do país, insinuando que os programas infantis de tevê eram apresentados por mulheres seminuas fazendo movimentos sensuais. (Também mostrou táxis que trocavam o letreiro para “refém” – o que foi considerado um ultraje, embora eu pessoalmente ache bem engraçado.) Semanas atrás, “Os Simpsons” exibiram outro episódio sobre a Copa do Mundo no Brasil; continha uma porção de traficantes, funcionários corruptos e, mais uma vez, apresentadoras seminuas de programas infantis. Até agora não houve nenhum pronunciamento oficial, mas não me surpreenderia se houvesse.

Tudo isso são notas de rodapé em comparação a temas de maior gravidade. Em destinações turísticas como Rio de Janeiro e Salvador, a exploração sexual, o tráfico de mulheres e a prostituição são assuntos urgentes.

Aqui as mulheres lutam diariamente contra o assédio sexual, a violência doméstica e o abuso emocional. Em São Paulo, segundo a ONU, uma mulher é atacada a cada 15 segundos. Nos últimos meses, houve uma onda de casos de assédio no metrô; um grupo feminista chegou a distribuir agulhas para as passageiras, aconselhando-as a se defenderem.

Além disso, um relatório governamental de 2011 afirmou que 43% das brasileiras sofreu violência em suas próprias casas. Muitas delas, mesmo as mais esclarecidas, têm medo de denunciar o abuso.

Há mais de sete anos, o governo lançou uma lei federal aumentando as penas para a violência contra a mulher. Desde então, a Lei Maria da Penha – batizada em homenagem a uma mulher que foi alvejada pelo marido, ficou paraplégica e depois, ao sair do hospital, quase foi eletrocutada por ele, que continuou fora da cadeia por duas décadas – tem apresentado bons resultados. Mas ainda há muito a ser feito.

Aqui, como em outras partes do mundo, não há nada que se compare ao nó no estômago que as mulheres têm andando sozinhas, à noite, ao passar por um grupo de homens que para de repente de falar. Não há nada como ter medo do próprio marido. Esses são os momentos em que Dilma Rousseff não faz muita diferença.


Este texto foi publicado em inglês no International New York Times do dia 24 de abril de 2014. Tradução da autora.

A coragem de amarelar

Posted: 15th abril 2014 by Vanessa Barbara in Crônicas
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Revista Viagem & Turismo
Abril de 2014

por Vanessa Barbara 

“Este certificado pertence a Vanessa Barbara, do Brasil, que acaba de enfrentar o medo e abraçar um estado de euforia pulando de bungee jump da ponte Kawarau, o primeiro ponto comercial de salto no mundo. Com a ajuda de uma corda de látex e uma dose de coragem, tal indivíduo realizou uma façanha e deixou de ser mais um zé-ninguém neste planeta.”

São esses os dizeres do diploma que ganhei após fazer um salto na Nova Zelândia, no mês passado. Ou seja: eu não passava de um zé das couves até aquele momento, quando deixei que amarrassem uma corda aos meus pés, subi numa plataforma estreita sobre o rio e mergulhei rumo ao estrelato. Naquele segundo, minha insignificância desapareceu e me enchi de glórias.

Só que a atividade me pareceu tão empolgante quanto comer um prato de mariscos.

O primeiro salto custa 180 dólares neozelandeses (R$ 350), o segundo R$ 90. Primeiro se deve assistir a um vídeo sobre a história do esporte – metade do grupo desistiu já nessa fase – e preencher os dados pessoais numa ficha amarela carinhosamente apelidada de toe-tag (nome das etiquetas de identificação amarradas ao dedão do pé dos cadáveres). Na sequência, há um processo duplo de pesagem. Ganhei um número vermelho na mão esquerda – meu peso, que me acompanhou pelo resto do dia e parecia aumentar quando eu comia demais; na mão direita, marcaram um número azul, que era o código para retirar as fotos após o salto.

Segundo a propaganda, 99% dos clientes afirmam que saltar foi a melhor experiência de suas vidas. É nisso em que eu tentava pensar deitada na plataforma, enquanto os funcionários atavam as minhas pernas e preparavam os equipamentos. Então pediram que me levantasse e chegasse bem perto da borda, o que só dá para fazer dando pequenos e ridículos saltinhos.

Os rapazes que coordenam a operação são chamados de jumpmasters. Eles me orientaram a olhar para a frente, onde havia uma câmera de filmagem, e depois para os meus amigos, que acenavam ao longe. Eu perguntei: “É só pular? É isso?”. Pediram que eu nunca olhasse para baixo, apenas para a frente. Naquele instante, tendo espiado com o canto do olho o rio que corria lá embaixo, todas as células do meu corpo sabiam que estavam fazendo pouquíssimo caso do próprio instinto evolucionário de autoconservação e perpetuação da espécie. À beira de um abismo de 43 metros, minha glândula suprarrenal implorava por clemência, meu sistema nervoso entrava em modo suicídio e o jumpmaster pedia: “Olhe para a frente. Respire fundo. Três, dois, um”.

Então obedeci e, durante a queda livre, tive a incômoda sensação de que o meu cérebro se descolava do crânio a uma velocidade de 80 km/h. Achei que fosse sofrer um aneurisma, senti um aumento brusco da pressão e tive uma forte dor de cabeça que durou o resto da tarde. Foi quando veio o primeiro puxão da corda, depois o segundo e o terceiro. No vídeo, pareço um desconjuntado boneco de posto, e me lembro de pensar: “Que bela ideia. Vou me fingir de morta e esperar que isso acabe logo”.

Então os funcionários vieram me resgatar num bote, eu me joguei no chão do barco feito um saco de batatas e eles perguntaram: “Primeira vez?”. Resposta: “Primeira e última”.

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Todo o marketing do bungee jump se concentra no mito da coragem. Na lojinha de Kawarau, há dezenas de produtos com os dizeres: “Eu consegui” e camisetas que exploram a covardia dos que não pularam: “I was too chicken”, diz uma delas (algo como “Fui um franguinho”, ou “Amarelei”).

Os jumpmasters são orientados a não empurrar ninguém, pois a atividade é sobre “decidir por conta própria”, segundo Henry van Asch, cofundador do AJ Hackett Bungy. “É uma aventura menos física e mais emocional e intelectual. Não chamamos de esporte, mas de desafio pessoal”, ele sublinha, em entrevista a um site. Alguns falam em “inspiração para a vida”.

Segundo antropólogos, o bungee jump surgiu numa tribo de Vanuatu como ritual de iniciação masculina, uma forma de impressionar e desafiar as mulheres. Só os homens pulavam, e quem não conseguia era tachado de covarde.

Na raiz do esporte, o bullying permanece até hoje, disfarçado de audácia.

No meu grupo havia um rapaz que não quis pular e estava confiante e tranquilo dessa decisão; foi o mais corajoso de todos porque enfrentou o julgamento alheio e não se deixou abalar. Não via grande interesse na atividade e contentou-se em fotografar os outros.

Na área de turismo, damos uma ênfase excessiva ao valor da experiência, embora a vida seja feita sobretudo de não experiências, de coisas que optamos por deixar de lado porque não queremos ou não podemos fazer: hipertensos e epilépticos não podem saltar de bungee jump, assim como diabéticos não podem se entupir de doces. Há uma série de aspectos da existência que independem do nosso arbítrio, ao contrário do que acontece dentro do ambiente controlado dos esportes radicais, onde nos sentimos super-heróis capazes de tudo. (Animado, meu guia declarou: “É uma sensação incrível! Você sai de lá achando que é capaz de tudo, tipo… tipo suicídio!”.)

A verdade é que esportes radicais podem ser empolgantes para alguns, mas decepcionantes para outros. Por isso não há lógica em constranger as pessoas, nem em relacionar tais práticas à tenacidade mental do indivíduo.

Pelo contrário: alguns psicólogos sustentam que, ao assumir riscos compulsivamente, as pessoas fogem dos verdadeiros riscos da vida; a ideia é produzir um falso senso de bem-estar e audácia ao encarar apenas perigos artificiais e voluntários. Numa situação de risco verdadeiro que exige coragem ­– posicionar-se diante de uma injustiça, por exemplo –, muitos agem com notável covardia.

São eles que praticam o bullying e precisam rebaixar os outros para se sentir melhores, brandindo um certificado que atesta a relevância existencial de alguém que pagou R$ 350 para mergulhar no vazio com uma corda nos pés.

Folha de S.Paulo – Revista sãopaulo
13 de abril de 2014

por Vanessa Barbara

Há poucas semanas, a revista sãopaulo publicou uma matéria sobre tartarugas abandonadas no lago do parque Piqueri. Seriam cerca de 150 animais que cresceram demais e foram despachados por seus donos, o que configura grave crime ambiental.

Não se pode abandonar uma tartaruga na natureza por vários motivos: primeiro porque, se ela foi criada em cativeiro, terá problemas em se adaptar à vida selvagem e pode morrer. Segundo porque irá desequilibrar o ecossistema local, sobretudo se for um tigre d’água americano, tartaruga nativa do sul dos Estados Unidos, com listras vermelhas abaixo dos olhos.

Muito populares no Brasil, as “orelhas vermelhas” são consideradas pela União Internacional de Conservação da Natureza uma das cem maiores espécies invasoras do mundo. Em matéria publicada no New York Times do dia 22/3, falo da caçada internacional a essa espécie, bem mais esperta e agressiva do que as nativas.

Algumas coisas que aprendi após a pesquisa, sendo dona de duas tartarugas legalizadas (e muito garbosas):

1. Não comprem tartarugas aquáticas como animais de estimação. Legais ou ilegais. São animais que dão trabalho, crescem rapidamente e fazem sujeira; é preciso ter um aquário de 100 litros para que elas tenham uma vida minimamente aceitável. Embora eu goste muitíssimo de Napoleão e Jacinto, não recomendo a compra e sou cada vez mais contrária à comercialização.

2. Embora os criadouros autorizados pelo Ibama façam um bom trabalho na comercialização de tigres d’água brasileiros, pregando o discurso de que assim estariam combatendo o tráfico de espécies invasoras, melhor seria se parassem de se dedicar ao negócio. Porque tartaruga não é pra ser bicho de estimação. Elas merecem viver em seu hábitat de origem.

3. Por último, sobre as infames orelhas vermelhas: que culpa tem a espécie de ter sido exportada? Sei que elas podem destruir um ecossistema, mas precisa decapitá-las, como fazem na Austrália? E depois esmagar o cérebro ainda ativo do animal, que segue consciente e demora para morrer? Precisa congelar as tartarugas até a morte, como no Japão, numa eutanásia considerada cruel, já que elas têm metabolismo lento e sentem as próprias células explodindo? Precisa executá-las com um tiro na cabeça?

As tartarugas, enfim, não têm culpa. Não deviam pagar pela estultice dos seres humanos.

Ps. Se você tem uma orelha vermelha, deve entregá-la ao Ibama ou a um CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres), como o do Parque Ecológico do Tietê (tel.: 2958-1477 ramal 226). Se não tem mais condições de criar sua tartaruga nativa, procure alguém que possa adotá-la ou a devolva ao criadouro de origem. Se quiser mesmo ter uma tartaruga, adote (http://mundodastartarugas.forumpratodos.com).

Revista são paulo
30 de março de 2014

por Vanessa Barbara

O trem mal havia deixado a estação Armênia quando um sujeito no vagão informou em voz alta: “Estação Tiradentes”.

Os passageiros se voltaram para ver o que estava havendo. O sujeito continuava impávido, fitando o vazio, como se nada tivesse ocorrido. Alguns se entreolharam e uma mulher trocou de lugar. Em poucos segundos, o trem parou na estação. Três pessoas saíram, as portas se fecharam e a composição seguiu.

“Estação Luz”, anunciou o anônimo, e tornou a calar-se.

Dessa vez, houve menos olhares e alguns suspiros de enfado. Um senhor de meia-idade ergueu os olhos do jornal com uma expressão de vaga curiosidade. O sujeito permanecia impassível, embora transparecesse um leve desconforto. Quando o metrô passou de São Joaquim, porém, ele já bradava o nome das estações vindouras com gosto e desenvoltura, e ninguém mais fazia caso.

O “exercício das estações de metrô” foi prescrito originalmente pelo psicólogo Albert Ellis para seus pacientes nova-iorquinos. O objetivo era demonstrar, na prática, como lidamos de forma irracional até com experiências apenas vagamente incômodas, e como podemos encontrar benefícios surpreendentes quando as enfrentamos.

O desafio é simples: bradar em voz alta o nome da estação seguinte antes do anúncio nos alto-falantes. Só de pensar, a maioria das pessoas experimenta um visível mal-estar ou um medo paralisante do julgamento alheio. Mesmo ao descrever a cena acima, que é fictícia, senti um leve constrangimento.

Contudo, não há nada na tarefa que seja em si apavorante: dentro de um vagão de metrô ninguém se conhece, e todos costumam ignorar comportamentos esquisitos. “Quando há um sem-teto no vagão gritando que Pat Sajak é a segunda vinda do Cristo, um homem lendo uma enorme enciclopédia com inscrições douradas na lombada não chama tanto a atenção”, observou certa vez o jornalista A. J. Jacobs, que optou por ler a Britannica no trem.

Além disso, anunciar as estações até pode até ser considerado algo útil, ainda que francamente idiota. Então para que tanto drama?

“Nada é tão ruim quanto nós antecipamos. Algumas estações mais tarde, eu me levantei e saí do trem, sorrindo para mim mesmo, repleto de serenidade estoica”, declarou Oliver Burkeman, repórter britânico que desempenhou vitoriosamente a missão. “Ninguém no vagão se interessou por isso também.”

É que, em geral, o que de pior pode acontecer em qualquer ocasião é a nossa crença exagerada de como ela vai ser terrível. Só encarando as coisas é que notamos o tamanho dessa distorção.

Para a ciência, passar vergonha faz muito bem.

(Fica a sugestão para o fim de semana.)